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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Desabrochar

 


Preciso, preciso, preciso...

Parir-me, produzir-me, expor-me

Emanar-me,

Expirando inspiração.

Por-me para fora, 

Florescer, descobrir-me, dar-me...

A despeito de reação,

A despeito de resposta.


É questão de sobrevivência,

Espelhar-me sem ser o que o outro espera.


É preciso permitir-me, frutificar...

Ainda que sem compreensão,

Que sem aceitação alheia.


É preciso ecoar interior,

Dar-me dia-a-dia o sabor de desabrochar.




quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Boas malhas

 


Quisera saber sempre tecer fios de afeto,

Urdir tramas, mantos, redes de amor...

Substantivos que são verbo,

Conjugam gente,

Transformam entes,

Unem almas, mentes,

Traçam vidas por pontos ao peito,

Com boas malhas,

Leves e aquecedoras de emoção.


Ahhh, que liberdade, leveza seria,

Não sustentar personas,

Não vestir máscaras, armaduras,

Viver com o coração !


 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Fisiologia das orações

 


Tudo que é vivo respira,

Existe em intervalos.

Assim, palavras não se emendam 

Para assumir sentidos.

Somam-se a espaços, interstícios,

Metabolizando o etéreo

Em concretas sentenças de troca.

Inspirando e expirando

Sustêm seres, nutrem entes...

Simples-mente. 





segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Literar

 


Literar permite-me pluralidade.

Consente-me assumir as muitas que em mim moram,

Sem pudores.

Lavra-me vestes tal Pessoa,

De modo a me obrigar à exposição.

Faz todas as fantasias acomodarem-se em realidade.


Literar liberta

Seivando a habilidade de ser responsável

Pela palavra parida

Transmutando sonho em vida.



 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Poema perfeito



Surgirá, um dia, o poema perfeito ?

Aquele com semblante de alvorada,

Síntese de nascer do sol,

Casado com crepúsculo,

Enamorado das horas todas,

Revigorado em berço esplêndido...


Momentos, muitos, há de perfeição

Tecendo histórias.

Muitos, tantos, bordando memórias

De seda... de poesia !...


Um poema perfeito, completo, irretocável, pleno

Pode haver antes do apagar da chama ? 


O peito por ele clama. 




quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Comida



Nesse paladar particular por palavras

Passeio papilas por poesia

Perscrutando especiarias,

Alquimias possíveis a temperar-me o tempo,

Provando, apurando prazer.


Apetece-me a prosa,

Apraz-me profundamente a poesia,

Prato que repito sem pensar,

Tempero imprescindível do viver.


Há várias formas de comer. 




quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Espaço no tempo

 


Tem faltado espaço no meu tempo

De prazer de escrever.

Idéias me assaltam,

Me desarmam da dureza de atuar no automático,

Do agir sem sentir,

Refrescando-me a mente

Municiada de emoções.


Tem faltado espaço no tempo

Para tirar todo pensamento que me assanha

Para dançar no papel,

Cantar nos palcos do computador,

Pintar a tela do telefone.


Poema é meu nome.